A Terapia
Minimamente Invasiva para dor discogênica e hérnia
discal lombar contida é uma técnica minimamente
invasiva para tratamento da dor discogênica e/ou hérnia
discal contida pequena. O IDET (Intradiscal Electrothermal Therapy)
além de descomprimir o disco em 10 a 15% do volume do
núcleo pulposo, o que reduz em mais de 90% a pressão
intra discal e conseqüentemente a pressão sobre
a raiz nervosa, como faz a nucleoplastia, faz a anuloplastia;
isto é: promove através da aplicação
da energia eletro térmica o “shrink”(retração/contração)
de fibras do colágenas e de nociceptores presentes em
porção posterior do anel fibroso do disco que
sabidamente é a fonte que origina a dor discogênica.
Esse procedimento que foi desenvolvido nos EUA e teve aprovação
do FDA em 1998; porém, no Brasil esta técnica
começou a ser utilizada à partir de 2004.
Pacientes que sofrem de dores lombares e/ou radiculares após
insucesso com o tratamento conservador (medicamento, repouso,
fisioterapia, etc.), com diagnósticos de dor discogênica
e/ou hérnia discal lombar contida (protusão central,
centro-lateral direita ou esquerda) são os que apresentam
a principal indicação.
O IDET é contra-indicado para as hérnias não
contidas (extrusas ou seqüestradas), síndrome de
cauda eqüina, estenose de canal vertebral, distúrbio
de coagulação e infecção ativa.
Em relação a faixa etária das pessoas que
podem se beneficiar do IDET, teoricamente, qualquer pessoa com
dor discogênica e/ou hérnia discal contida pode
se beneficiar da eletroterapia intra discal (IDET), porém,
parece que os melhores resultados se obtêm em pessoas
entre 20 e 50 anos de idade, pois nessa faixa etária
o disco já começou a degenerar, mas ainda é
bastante elástico, sendo mais suscetível à
anuloplastia e descompressão discal.
Os grandes beneficiários desse procedimento são
os atletas, pois, além da possibilidade de resolução
da doença de maneira minimamente invasiva, essa técnica
não instabiliza a coluna e praticamente não deixa
marcas na pele.
O diagnóstico da degeneração e hérnia
discal é feito pelo exame clínico, que é
de fundamental importância, dois exames subsidiários
são necessários:
• Ressonância nuclear magnética: permite-nos
avaliar a alteração morfológica do disco
e da sua relação com as estruturas neurais adjacentes.
• Discografia provocativa, caso necessário.
Anteriormente ao tratamento são realizados todos os exames
da cirurgia convencional, isto é, exames de sangue e
avaliação clínica (clínico geral
ou cardiologista) pré-operatória habitual, para
avaliar se existe algum impedimento para o procedimento.
A rotina no dia da operação é como qualquer
outro procedimento cirúrgico, o paciente é orientado
a ficar em jejum absoluto (sólidos e líquidos)
por oito horas. É recomendado que seja acompanhado por
alguém que se responsabilize pelo seu transporte de volta,
uma vez que lhe é administrado sedativo durante o tratamento.
É administrado medicação pré-anestésica
antes de o paciente ser encaminhado à sala cirúrgica,
o que o deixará mais relaxado para o procedimento.
O procedimento é efetuado em sala de cirurgia especialmente
adaptados com mesa radio transparente e boa radioscopia; é
feita com anestesia local e sedação controlada
para diminuir o desconforto e a ansiedade do paciente durante
a intervenção. O paciente permanece sedado, porém,
comunicativo durante todo o procedimento, pois a comunicação
e suas reações em várias etapas do procedimento
são de fundamental importância para a segurança
do procedimento. Com o auxílio da radioscopia (raios-X),
é introduzido um cateter especial de 1,2 mm de diâmetro
no interior do disco com o objetivo tratá-lo termicamente
(contração do ânulo posterior e descompressão),
utilizando-se da energia eletro térmica. Todo o tratamento
demora menos de uma hora, e o procedimento em si, em torno de
30 minutos.
Após o procedimento, o paciente é encaminhado
para a sala de recuperação pós-anestésica
e lá permanece durante uma hora (rotina); após
esse período, é encaminhado de volta para o seu
aposento e lá permanece até se recuperar da sedação
(de duas a oito horas); recebe alta hospitalar com analgésico
e antiinflamatório não hormonal, e é aconselhado
a repousar por cerca de dois dias e a praticar atividades leves
durante quatro semanas, moderada por dois meses e vida normal
em três meses.
Os resultados após o procedimento são: um terço
dos pacientes sente alívio imediato, outro terço
não sente diferença nenhuma e o restante sente
até um pouco mais de dor lombar.
Os resultados a longo prazo, normalmente, fazemos avaliação
com 3,6,12 e 24 meses. A literatura mostra bons resultados em
ao redor de 75% dos casos tratados. É importante ter
em mente que a adesão do paciente ao programa de reabilitação
no pós procedimento é fundamental para mantermos
bons resultados a longo tempo.
As complicações que podem ocorrer com o procediemnto
são:
• Infecção (discite): previne-se realizando
o procedimento em ambiente cirúrgico e antibioticoterapia
profilática endovenosa.
• Sangramento: previne-se pela realização
de exames de sangue pré-operatório para se identificar
distúrbio de coagulação e técnica
cirúrgica acurada.
• Lesão neurológica: previne-se pela realização
do procedimento com anestesia local e técnica adequada
de puncionamento discal.
• Perfuração de vísceras abdominais
e de grandes vasos: previne-se pela técnica adequada
de puncionamento e conhecimento da anatomia da zona triangular
de segurança (zona foraminal).
Os especialistas que fazem o procediemento são, nos EUA,
principalmente neurocirurgiões, ortopedistas, radiologistas,
fisiatras e anestesistas.• No Brasil, o IDET foi iniciado
por neurocirurgiões e ortopedistas. Talvez porque sejam
estes os especialistas que mais lidem com as doenças
da coluna e são os que estão mais familiarizados
com a anatomia cirúrgica da coluna. Mas, é fundamental
que o especialista tenha feito um treinamento específico
para a realização do procedimento.
Evidence-informed management of chronic low back pain intradiscal
electrothermal therapy.
The Spine Journal 8 ( 2008 ) 80-95
Dr. Marcelo Ferraz de Campos é médico Neurocirurgião,
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Coluna e Diretor Científico
da APM – Regional SBC/D
e-mail: ferrazcampos@uol.com.br