A EMT é
uma técnica que, por meio de um campo magnético
potente – similar ao de ressonância magnética
–, promove a ativação de neurônios
ou sistemas neuronais desativados em função de
diferentes patologias, como a depressão, por exemplo.
A pesquisa envolveu 35 pacientes, com idades entre 18 e 79 anos,
a maioria vítima de dor decorrente de lesão no
plexo braquial (conjunto de nervos localizado na região
do pescoço e que, como cabos elétricos, conectam
o cérebro com os membros superiores, responsáveis
por movimentação e sensibilidade).
A lesão, incapacitante, é mais comum em pessoas
que sofreram acidentes de motocicletas. O paciente perde o movimento
de todo o braço lesionado, mas o cérebro continua
mandando impulsos de comando para o mesmo funcionar. Essa intensa
atividade neuronal pode acabar gerando a dor.
Um dos tratamentos da lesão consiste em implantar eletrodos
no cérebro, que emitem impulsos elétricos que
normalizam a atividade na área, cessando a dor. Porém,
nem todos os pacientes respondem adequadamente a esse tratamento.
Diagnóstico preciso – Por meio
do uso da EMT foi possível mapear com maior precisão
a região do cérebro (córtex sensitivo)
onde ocorria a dor, permitindo demarcar a área específica
para o tratamento e se havia ou não indicação
para a implantação desses eletrodos.
Segundo Marcolin, responsável pelo Grupo de Estimulação
Cerebral do IPq, o campo magnético transmitido em forma
de pulsos rápidos atravessa o couro cabeludo e o crânio,
precisamente na região em que se objetiva ativar. A técnica
é objeto de pesquisa no IPq há 8 anos. É
uma das mais promissoras terapêuticas em psiquiatria da
atualidade. Não é agressiva, tem baixíssima
taxa de efeitos colaterais e é indolor.
Para que a EMT (atualmente aprovada para uso clínico
pelo IPq) passe a ser oferecida à população,
foi solicitado junto ao Conselho Federal de Medicina a aprovação
do procedimento no País e sua conseqüente incorporação
ao SUS. Durante o congresso, o trabalho dos pesquisadores do
IPq concorreu com outros 450, sendo que os melhores foram publicados
nos anais do encontro.