De uma pequena
vespa que não ultrapassa 5 milímetros de tamanho,
a Polybia occidentalis, conhecida como “marimbondo-estrela”,
cientistas conseguiram extrair uma substância (peptídeo)
que pode ser duas vezes mais potente que a morfina no controle
da dor. No Laboratório de Neurobiologia e Peçonhas
do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências
e Letras de Ribeirão Preto (FFLCRP) da USP, testes realizados
com animais de laboratório comprovaram que o peptídeo
treonina-6 bradicinina (T6Bk) tem efeito eficaz no controle
da dor.

De
acordo com o professor Wagner Ferreira do Santos, a bradicinina
é um modulador que tem vários efeitos fisiológicos
nos estados de dor, como a permeabilidade em vasos sangüíneos.
“Os testes são um excelente subsídio para
melhor entender os mecanismos da dor”, conta o pesquisador.
No laboratório, os cientistas utilizaram dois conhecidos
padrões para estudo da dor relacionada à hipertermia,
o hotplate (placa quente) e o tailflick (teste de retirada da
cauda). O peptídeo foi injetado diretamente no cérebro
dos animais para que fosse comparada a resistência à
dor. A substância fez efeito e os ratos apresentaram maior
resistência.
O artigo contendo os resultados dos testes foi publicado na
revista British Journal of Pharmacology, na edição
de junho, e o professor comemora a veiculação
de um outro artigo em que especialistas comentam positivamente
os experimentos. “Eles ressaltam que os estudos abrem
importantes caminhos e que encontramos uma ferramenta capaz
de auxiliar no entendimento da dor”, comemora Ferreira.
Segundo ele, novos estudos ainda serão empreendidos para
que se compreenda melhor esse mecanismo.
Da
mesma vespa, os cientistas também obtiveram um outro
peptídeo que mostrou ser um componente anticonvulsivo.
Com ele também foram realizados testes com ratos, o que
comprovou a possibilidade. Nesse caso, os pesquisadores conseguiram
produzir uma substância análoga, o que já
é um modelo para um medicamento. “Em ambos os casos
ainda temos muito a caminhar, restando ainda novos testes com
modelos animais e em seres humanos”, diz o professor.
Os
estudos com a Polybia occidentalis tiveram início há
cerca de três anos, quando o professor orientou a tese
de doutorado de Márcia Renata Mortari. Atualmente, ele
supervisiona o pós-doc da pesquisadora, em que estão
sendo produzidas as substâncias análogas.
Além
do professor Ferreira, integram o grupo de estudos os professores
Norberto Peporini, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas
de Ribeirão Preto, Joaquim Coutinho Netto, Norberto Coimbra,
ambos da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, e Antônio
Miranda, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).