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A lesão primária no traumatismo
raquimedular se deve a compressão aguda, ao impacto, a
distração, a laceração e ao cisalhamento
da medula.
A
lesão medular ocorre no traumatismo raquimedular com hemorragia
na região de transição da substância
branca medular com a substância cinzenta após uma
hora do trauma. Evolui com edema da substância branca em
quatro horas levando a desmielinização com formação
de lesão cística e necrose. A lesão torna-se
definitiva e irreversível em seis horas.
A
lesão primária leva a liberação de
aminoácidos excitatórios. A liberação
de aminoácidos excitatórios leva a produção
de radicais livres e hidrólise de fosfolipídios.
A produção de radicais livres promove a produção
de peroxidação lipídica e lesão da
membrana desencadeando a diminuição da atividade
da ATPase, liberação de sódio e cálcio
pela lesão da membrana e conseqüente edema celular
e diminuição do metabolismo. A hidrólise
de fosfolipídios promove a produção de eicosanóides
aumentando a permeabilidade vascular levando a edema, inflamação
e isquemia. Após o período de quatro a seis horas,
temos a isquemia associada à diminuição do
metabolismo celular promovendo a morte celular.
Após
a lesão primária, a imobilização pelo
transporte, a ressucitação hemodinâmica e
a terapia farmacológica influencia na recuperação
da lesão medular. A estabilização hemodinâmica
agressiva com pressão arterial média de 85mmHg com
a utilização de líquidos, colóides
e vasopressores influencia na melhora do quadro neurológico.
O
tratamento com metilprednisolona é recomendado por 24 ou
48h no Traumatismo Raquimedular Agudo, mas sem evidências
que os benefícios são mais consistentes que os efeitos
colaterais. O uso de gangliosídeo GM1 é recomendado
como opção demonstrando benefício clínico
na fase aguda. A descompressão da medula espinhal melhora
a recuperação neurológica em trabalhos realizados
em animais. O tratamento conservador é uma opção
de tratamento, sendo que a conduta conservadora no traumatismo
raquimedular na avaliação de 612 pacientes, 4 apenas
desenvolveram instabilidade, sendo que 29% dos pacientes com Escala
de Frankel em A melhoraram pelo menos 1 grau na avaliação
durante a reabilitação. Há trabalho que demonstra
piora de 10% do grau de lesão neurológica nos pacientes
com lesão incompleta sendo realizado no tratamento conservador.
A
cirurgia precoce após 24h do traumatismo raquimedular com
redução da fratura luxação apresenta
uma melhora no déficit neurológico em 31% de 100
pacientes avaliados, sendo que os pacientes que melhoraram 75%
estavam no grupo que realizaram a cirurgia com menos de 6 horas
após o trauma.
A
avaliação de 53 pacientes com a cirurgia precoce
antes de 24 horas e tardia após 24 horas do traumatismo
raquimedular não apresentou diferença na evolução
do déficit neurológico.
A
cirurgia precoce está indicada quando apresentamos deteriorização
neurológica associada a fragmentos no canal vertebral,
hematomas e luxações não reduzidas. A piora
neurológica ocorre em 15,3% dos pacientes após cirurgia
precoce, sendo que não ocorreu nenhum caso de piora do
déficit realizando a cirurgia após 5 a 10 dias.
A incidência de complicações sistêmicas
como: pneumonia, trombose venosa profunda, embolia pulmonar e
úlceras de decúbito foi reduzida em 50% com a cirurgia
precoce. Não há benefício em relação
a recuperação neurológica em cirurgia com
menos de 72 horas e após 5 dias do traumatismo raquimedular.
Não há trabalhos com classe de evidência clínica
I e II que apresentem resultados favoráveis em relação
à cirurgia precoce e tardia.
No
Serviço de Neurocirurgia do Hospital Heliópolis
adotamos como protocolo a cirurgia tardia no traumatismo raquimedular,
após a estabilização clínica do paciente
e uma melhor programação da tática cirúrgica.
O resultado não revelou em nenhum caso piora do déficit
neurológico com a realização da cirurgia
tardia no traumatismo raquimedular cervical.
Realizamos
no Serviço de Neurocirurgia do Hospital Heliópolis
a cirurgia precoce nos pacientes que apresentam: progressão
do déficit neurológico (radicular ou medular), lesões
abertas ou contaminadas (fistula liquórica) e nas lesões
incompletas associadas a luxações irredutíveis
após a estabilização hemodinâmica. |