EPIDEMIOLOGIA DO TRAUMATISMO DA COLUNA VERTEBRAL NA REGIÃO SUL DE SÃO PAULO –SP

1) INTRODUÇÃO


          A importância de trabalhos epidemiológicos sobre pacientes com lesão medular aguda torna-se evidente quando observamos que a melhor forma de melhorar a qualidade de vida da população, e de diminuir os custos com estes pacientes é evitar que as complicações aconteçam.

          O traumatismo da coluna vertebral com lesão irreversível da medula é um evento agudo e inesperado que altera drasticamente a vida do indivíduo acometido, gerando desastrosas conseqüências à sua pessoa, à sua família e à sociedade em que vive.

          O trauma raquimedular compreende as lesões dos componentes da coluna vertebral em quaisquer porções: óssea, ligamentar, medular, discal, vascular ou radicular.

         Segundo Boer et al (1997), nos Estados Unidos, aproximadamente 15% dos pacientes com trauma de coluna vertebral terão comprometimento neurológico como conseqüência desse trauma.

          Os crescentes avanços no tratamento dessas lesões, devido ao desenvolvimento e treinamento de equipes especializadas no atendimento aos pacientes politraumatizados nos principais centros urbanos, proporcionam maior expectativa de sobrevida, inclusive nos casos mais graves, e também a redução das principais complicações, porém o prognóstico permanece dependendo de uma longa fase de reabilitação para a reintegração do indivíduo na sociedade.

 
     
 

          

 

          Ainda assim, mesmo em países mais desenvolvidos, em conseqüência das seqüelas, os níveis de qualidade de vida são inferiores aos da população em geral. Dessa forma, persiste como melhor conduta a prevenção.

          O coeficiente de incidência de lesão medular traumática no Brasil é desconhecido e não existem dados precisos a respeito da sua incidência e prevalência, uma vez que esta condição não é sujeita a notificação.

          Estima-se que ocorram a cada ano, no Brasil, segundo Masini (2000), mais de 10.000 novos casos de lesão medular. Trauma é a causa predominante.

          Os números superam a maioria das estatísticas publicadas referentes à incidência da lesão medular em outros países: os Estados Unidos e o Japão, por exemplo, apresentam índices de 40 novos casos por um milhão de habitantes / ano, segundo Blumer et al (1995).

          No Brasil, o índice médio em 1997, dentro da mesma proporção, foi de 71 novos casos segundo Masini (2000). Trata-se de um problema que cresce com o Brasil, requerendo atenção redobrada. Isto se refere às campanhas de educação e prevenção, bem como ao tratamento mais eficiente da população sobrevivente.

          Várias doenças podem comprometer a coluna vertebral e ter como conseqüência a lesão medular, como causas congênitas, traumáticas, degenerativas, tumorais, infecciosas e vasculares. Nestes últimos anos pode-se notar uma mudança na etiologia da lesão medular traumática, com maior incidência de lesões causadas por arma de fogo e menor incidência de lesões causadas por acidente automobilístico.

          Segundo Waters et al (1997), no período de 1973 a 1978, nos Estados Unidos, a violência respondia por 13,3% das lesões; no período de 1979 a 1982, 15,1%; de 1983 a 1986, 17,2%; de 1987 a 1990, 20,8%; e no período de 1991 a 1994, 30,4%. Esta
mudança pode ter sido causada tanto pela menor incidência de acidentes automobilísticos, quanto pelo aumento da violência, principalmente no meio urbano.

 

 


          Dados do National Spine Cord Database de 2003 mostraram a incidência de lesões medulares por acidente automobilístico 38,5%, ferimentos por arma de fogo 24,5%, quedas 21,8% e esportes e laser 7,2%. Além disso, têm-se notado um aumento da incidência de lesões medulares. Entre 1935 e 1944 houve 22 lesões por milhão, entre 1965 e 1974, 67 lesões por milhão e no período 1975 a 1981, 71 lesões por milhão nos Estados Unidos. No entanto, houve uma diminuição de mortalidade por traumatismo raquimedular de 36 por milhão (1965 a 1974) para 32 por milhão (1975 a 1981).

          O primeiro levantamento em hospitais acerca da prevalência de lesão medular no Brasil foi publicado por Campos et al (1992). Uma das conclusões desse estudo foi que 8,6% dos leitos dos hospitais brasileiros eram ocupados por pacientes portadores de lesão medular. Um grande número de hospitais gerais estava sendo disponibilizado para o tratamento de pacientes com essa afecção. Nas conclusões observaram que o tratamento destinado a esses pacientes resultava em complicações clínicas decorrente das internações prolongadas.

          Segundo Ingham et al (2004), avaliando 171 pacientes com lesão medular atendidos no período de 1999 a 2001, no Lar Escola São Francisco - Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo, foi encontrado um predomínio de pacientes jovens (média 35,4 anos) e do sexo masculino (62,6%).

          A principal causa foi o ferimento por arma de fogo (30,l%) e a principal lesão medular foi incompleta (59,6%). O nível neurológico mais freqüente foi o torácico, em 59% dos pacientes.

 



          O tempo de internação médio foi de 54,5 dias, e a principal intercorrência clínica encontrada, a úlcera de pressão, em 36% dos casos, refletindo despreparo na maioria dos hospitais em receber o paciente deficiente físico com lesão medular.

         O tempo de chegada ao centro de reabilitação foi bastante elevado, com a média de 22,4 meses.

         No Brasil existem poucos dados e trabalhos publicados a respeito da epidemiologia da lesão medular. Em virtude disto, realizamos um estudo demográfico que possa proporcionar um conhecimento mais preciso das causas do traumatismo raquimedular em nossa população e compará-las com as da literatura, visando principalmente, estabelecer o grupo de risco e sugerir um programa de prevenção adequada dessa afecção.

          Pretendemos com isso contribuir para a diminuição da incidência dessa lesão e a melhoria da qualidade de vida da população de nossa região.

 

 

 

2) OBJETIVOS

1. Estudar a freqüência dos traumatismos raquimedulares na população da Região Sul de São Paulo segundo idade, sexo, causa e segmento da coluna acometido.

2. Verificar a distribuição dos traumatismos raquimedulares, segundo sexo e idade.

3. Verificar a distribuição dos traumatismos raquimedulares, segundo sexo e causa.

4. Verificar a distribuição dos traumatismos raquimedulares, segundo idade e causa.

5. Verificar a distribuição dos traumatismos raquimedulares, segundo sexo e segmento.

6. Verificar a distribuição dos traumatismos raquimedulares, segundo idade e segmento.

7. Verificar a distribuição dos traumatismos raquimedulares, segundo causa e segmento.

 

 
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