Estudaram também grupos étnicos envolvidos com o traumatismo raquimedular por ferimento de arma de fogo e por veículos automobilísticos. Avaliaram 164 pacientes, destes, 87 eram lesados medulares por ferimento de arma de fogo, ou seja, 54%. Destes 46% eram latinos, 41% eram grupos afro-americanos e não houve nenhum caso na raça branca. Em relação aos 77 casos de veículos automotores, 34% eram latinos, 5% afro-americanos, e 38% dos acidentes com veículos automotores eram americanos da raça branca. Concluíram um risco menor para indivíduos brancos americanos a sofrer traumatismo raquimedular por ferimento de arma de fogo e um risco maior para veículos automotores.


          McKinley et al (1999) avaliaram a incidência e epidemiologia dos pacientes com lesão medular de origem traumática e não traumática. A avaliação foi realizada em 200 pacientes, sendo que naqueles com lesão medular traumática, a média de idade foi de 38 anos, ocorrendo 84% em homens. Em relação à raça: 65% eram não brancos e 35% brancos. Em relação ao estado civil, não houve diferença entre indivíduos casados e solteiros. Em relação a indivíduos que trabalhavam, 67% exerciam função laborativa.


          Delfino et al. (2000), realizaram estudo retrospectivo de 64 pacientes portadores de fraturas da coluna toracolombar. Obtiveram queda de altura em 59,3%, acidente automobilístico em 32,8%, trauma direto em 4,7% e atropelamento em 3,1%. A vértebra que apresentou maior freqüência de fratura foi L1.


           Kannus et al (2000) avaliaram pacientes com lesão medular traumática na Finlândia de 1970 a 1995, e concluíram que houve um aumento de 24% nos pacientes com idade acima de 50 anos bem como um aumento de 3 vezes entre as mulheres com relação aos homens.

 
     
 

      

 

 

         Van Asbeck et al (2000) realizaram trabalho sobre Epidemiologia da Lesão Medular Traumática na Holanda durante o ano de 1994, demonstraram que a incidência foi de 10,4% de lesões medulares traumáticas por milhão de habitantes ao ano, ocorrendo um predomínio dos 20 aos 30 anos (24,8%) dos casos e dos 71 aos 80 anos (15,9%) dos casos, sendo a causa mais comum a queda com 48,7% e em acidentes de trânsito 31%. Somente 70% dos pacientes com lesão medular eram admitidos na Instituição de reabilitação, demonstrando a importância da criação de novos centros de reabilitação para o atendimento da população com lesão medular traumática no país.


          Na avaliação de Masini et al. (2001) em que realizaram levantamento nacional de casos internados em hospitais e chegaram à conclusão que os índices estão em torno de 71 novos casos por milhão de habitantes/ano (11.600 casos novos por ano). A população no Brasil está estimada em 160 milhões de habitantes, o que permite estimar uma população portadora de lesão medular em mais de 180.000 indivíduos.


          Botelho et al (2001), realizaram estudo epidemiológico em pacientes vitimas de trauma raquimedular cervical, na zona norte da cidade de São Paulo, o que revelou uma relação homens/mulheres de 6,3/1, sendo a idade média de 35 anos, sendo as quedas a maior causa. Das quedas, a queda da laje foi a mais freqüente.


          Sekhon et al (2001), realizaram um estudo epidemiológico em centros de vários países e concluíram que a incidência de traumatismo raquimedular anual estava entre 15 a 40 casos por milhão de habitantes por ano com uma incidência de mortalidade, após o trauma agudo, entre 4,4% e 16,7% e os gastos da internação hospitalar inicial na fase aguda estando em torno de cem mil dólares nos pacientes com lesão medular, e os gastos, estendendo-se ao resto da vida em pacientes tetraplégicos, maiores que dois milhões de dólares.

 

 

 

          Cardozo-Gonzales et al (2001), mostraram que o número de portadores de lesão medular é um fato alarmante no mundo atual. No Brasil, na maioria dos casos, tais lesões têm origem traumática, sendo o ferimento ocasionado por armas de fogo (FAF), acidente automobilístico e quedas, as causas externas mais freqüentes. As vítimas desses traumatismos são predominantemente adultos jovens, com idade variando entre 18 e 35 anos e na proporção de quatro homens para uma mulher.


          Souza Junior et al. (2002), avaliaram o perfil epidemiológico dos pacientes com trauma raquimedular em Belém – PA, obtiveram como resultado o predomínio de acidentes por quedas em todas as faixas etárias, exceto na terceira idade.


          Segundo dados do National Spine Cord Database de 2003 mostraram a incidência de lesões medulares por acidente automobilístico de 38,5%, ferimentos por arma de fogo 24,5%, queda 21,8% e esporte e laser 7,2%. Além disso, notaram um aumento da incidência de lesões medulares: entre 1935 a 1944 houve 22 lesões por milhão, entre 1965 a 1974, 67 lesões por milhão e no período de 1975 a 1981, 71 lesões por milhão nos Estados Unidos. No entanto, houve uma diminuição de mortalidade por traumatismo raquimedular de 36 por milhão (1965 a 1974) para 32 por milhão (1975 a 1981).


          Aito et al (2003) avaliaram 588 pacientes no período de fevereiro de 1997 a fevereiro de 1999 com lesão medular traumática envolvendo 37 centros hospitalares da Itália. Encontraram 81% dos pacientes homens e 19% mulheres, sendo as causas: 35,2% acidente de carro, 15% de motocicletas, 3,6% de bicicletas, 8,2% em esportes, 1,7% em assaltos, 4,1% em tentativas de suicídio, 33% outras causas. Avaliaram também o aumento da incidência das complicações como infecção urinária, úlcera de pressão e infecções pulmonares com o aumento no período de internação hospitalar destes pacientes.

 

 


          Ingham et al. (2004), realizaram a avaliação epidemiológica dos pacientes atendidos com lesão medular no Lar Escola São Francisco, Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo – obtendo como resultado um predomínio do sexo masculino, com idade média de 35,4 anos, e com tempo médio de internação de 54,5 dias. Quanto à etiologia da lesão medular em sua casuística, houve predomínio da lesão por arma de fogo, seguido pelas quedas.


          Mello et al. (2004), realizaram a avaliação dos pacientes com traumatismo raquimedular no Hospital Santa Isabel, em Blumenau. A média de idade encontrada foi de 40,5 anos, com predomínio do sexo masculino, e a queda a principal causa.


          Zaninelli et al. (2005), realizaram avaliação epidemiológica das fraturas de coluna torácica e lombar dos pacientes atendidos no Pronto Socorro do Hospital do Trabalhador da UFPR de Curitiba – Paraná, obtendo uma idade média de 39 anos, com predomínio do sexo masculino, com relação homem/mulher de 3,25/1, sendo o mecanismo mais freqüente da fratura a queda de altura, principalmente de andaimes e árvores, seguido de acidente automobilístico. Em pacientes acima de 75 anos, 75% dos casos foram relacionados com quedas de altura.


          Identificaram também problemas do paciente durante a hospitalização e após a alta, tais como problemas de eliminação urinária, mobilização e alimentação. As autoras referem que o paciente com lesão de medula pode apresentar complicações digestivas, urinárias, deformidades, úlceras de pressão, trombose venosa profunda e disfunção autonômica.

 

 

 

4. CASUÍSTICA E MÉTODO

4.1. CASUÍSTICA
          Esta pesquisa descritiva baseia-se na análise retrospectiva de todos os pacientes com traumatismo da coluna vertebral, diagnosticados e tratados no Serviço de Neurocirurgia do Hospital Heliópolis, em São Paulo, no período compreendido entre janeiro de 2000 a janeiro de 2006.
          Neste período o total de pacientes foi 100, obteve-se informação de todos, sem perda na casuística.

 

4.2. METODOLOGIA
          Os dados foram retirados de protocolo de Traumatismo da Coluna Vertebral do Serviço de Neurocirurgia do Hospital Heliópolis, iniciado em 2000. (Anexo 1)

 

4.3. VARIÁVEIS DE ESTUDO
          - Sexo
          - Idades: coletou-se as informações em faixas etárias, a saber: de 0 a 20, de 21 a              30, de 31 a 40, de 41 a 50 e de 51 a 80 anos.
          - Causa do acidente: quedas gerais (quedas de andaimes, da escada, da própria              altura, da árvore, do telhado, da ponte, do viaduto), acidentes de veículos, quedas              de lajes, ferimentos por arma de fogo, mergulhos em águas rasas e agressões.
          - Segmento: cervical e toracolombar (região envolvendo a coluna torácica e lombar              na totalidade)

 

 
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