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3)
REVISÃO DA LITERATURA
Frankel
et al (1969) com trabalho realizado no Stoke Mandeville Hospital,
entre março de 1951 e agosto de 1968, incluindo 662 pacientes
sendo 593 homens e 69 mulheres, observaram que a origem do trauma
foi 50% por acidentes de veículos, 1% com aviões,
27% no trabalho, 10% de acidentes domésticos, 10% no
esporte, 2% de assaltos e vítimas de suicídio.
No trabalho foi realizado o tratamento conservador independente
da região da lesão medular, sendo a avaliação
realizada em pacientes paraplégicos e tetraplégicos.
Gehrig
& Michaelis (1970) avaliaram 240 pacientes de 1960 a 1967
na Suíça, observaram um índice maior em
lesões medulares na idade de 20 a 29 anos (29%), de 10
a 19 anos (16%), de 50 a 59 anos (15%), de 30 a 39 anos (14%),
de 40 a 49 anos (12%), de 60 a 69 anos (8%), de 1 a 9 anos (3%),
de 70 a 79 anos (2%) e acima de 80 anos (1%). Em relação
à distribuição por sexo 79% eram homens,
16% mulheres e 5% crianças com menos de 14 anos. Em relação
ao trabalho exercido, 48% eram operários e trabalhadores
de construtoras, 35% trabalhavam em escritório, 12% em
laboratórios e farmácias e 5% eram pessoas autônomas.
As causas principais foram 36% em acidente de tráfego,
35% no trabalho e 29% em acidente no lar e no esporte. Importante
é que eles observaram, no passar dos anos em que foi
avaliado o trabalho, um aumento de 2% a 3% ao ano da incidência
de pacientes com lesão medular traumática, dando
importância na sua conclusão às campanhas
de prevenção e ao aumento dos centros de reabilitação
no país.
Kewalramani
et al (1977) avaliaram um estudo epidemiológico de lesão
medular na Califórnia, nos Estados Unidos, onde observaram
um predomínio na idade de 15 a 19 anos. A causa de maior
incidência foi por mergulho em águas rasas 45%,
sendo 27% em piscinas e 28% em rios. Observaram que dos pacientes
com trauma raquimedular, devido a mergulho em água rasa,
60% dos que deram entrada no hospital apresentavam-se tetraplégicos,
revelando uma alta taxa de lesão medular cervical traumática
por mergulho em água rasa nessa região do país.
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Bracken
et al (1981) avaliaram um estudo epidemiológico em saúde
pública nos Estados Unidos, de 1970 a 1977, observando
um predomínio do sexo masculino de 69,2% em relação
ao feminino 30,8%. A taxa de indivíduos da cor branca foi
de 77,7%, não brancos 22,3%. Indivíduos casados
tiveram uma maior incidência de 41,7%, solteiros 39,7%,
separados e divorciados 15%. Em relação à
faixa etária houve predomínio de 15 a 24 anos com
29,7%. O mês de maior incidência do trauma raquimedular
foi maio. Durante sete anos em que foi realizado esse estudo houve
um aumento na incidência de traumatismo raquimedular na
população da faixa etária de 20 a 24 anos,
com uma diminuição dos 24 aos 50 anos.
Pinto,
L. G. (1982) ressaltou a importância das lesões medulares
traumáticas agudas quando aponta, nos Estados Unidos um
número de 120.000 a 150.000 pessoas incapacitadas vivendo
naquele país, e que aproximadamente 10.000 novos inválidos
são acrescentados anualmente. O Centro Nacional de Pesquisas
em Phoenix para lesões medulares relata que nos anos de
1975 a 1977 estas lesões resultaram em 53% de tetraplegia
e 47% de paraplegias.
Sposito
et al (1986) afirmaram que a paraplegia ou tetraplegia, decorrente
de lesão medular traumática ou não, constitui
uma grave seqüela que acarreta profundas modificações
na vida de seus portadores. A violência urbana e os acidentes
de trânsito e do trabalho têm, aparentemente, apresentado
constante crescimento e, em conseqüência, cada vez
maior número de indivíduos é acometido por
traumatismos medulares. Por outro lado, os recursos modernos e
o desenvolvimento da Medicina têm permitido que um número
cada vez maior de pacientes com traumatismo raquimedular supere
a fase aguda da doença. Fato importante, pois revela a
necessidade da criação de maior número de
centros de reabilitação.
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Solino
et al (1990), realizaram trabalho baseado em um estudo de avaliação
epidemiológica, incidência e freqüência
do Traumatismo da Coluna Vertebral, realizado no Hospital Municipal
Miguel Couto, no Rio de Janeiro, concluindo que o sexo masculino
e a faixa etária de 20 a 40 anos foi a mais acometida,
sendo a região cervical a mais traumatizada. A causa mais
freqüente foi a queda de altura com 48,4%, mergulho em águas
rasas 25%, acidente automobilístico em 20%, outras 6,6%.
Entre as conclusões, demonstraram que a orientação
da população quanto ao banho de mar e a profundidade
das piscinas também pode ajudar na prevenção
das lesões da coluna cervical.
Freitas
(1990) realizou estudo epidemiológico de 100 casos de traumatismos
raquimedulares em Porto Alegre, obteve como resultado relação
homem/mulher de 5,7/1 com o predomínio por quedas 54% (incluindo,
como a principal, mergulho em águas rasas 37% ), com pico
de incidência na idade entre 16 e 30 anos, sendo a região
cervical a mais acometida. Em suas conclusões, enfatizou
a importância dos trabalhos epidemiológicos para
contribuir para que traumatismos possam ser evitados ou, ao menos,
que ocorram em incidência menor.
Barros
Filho et al (1990), realizaram estudo epidemiológico dos
pacientes com traumatismo raquimedular da coluna vertebral no
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP,
obtiveram o predomínio do sexo masculino em 92,8%, sendo
o acidente por arma de fogo o mais freqüente 36,7%, acidentes
de trânsito 26,9%, quedas 22,4%, mergulho 7,7%, quedas de
objetos sobre a pessoa 4,2% e outros 2,3%. A lesão cervical
ocorreu em 50,2%, de T1 a T11 32% e de T12 18,2%.
O
primeiro levantamento em hospitais acerca da prevalência
de lesão medular no Brasil foi publicado por Campos et
al (1992). Uma das conclusões desse estudo foi que 8,6%
dos leitos dos hospitais brasileiros eram ocupados por pacientes
portadores de lesão medular. Um grande número de
hospitais gerais estava disponibilizado para o tratamento de pacientes
com lesão medular. Nas conclusões observou-se que
o tratamento a esses pacientes resultava em complicações
clínicas decorrentes das internações prolongadas.
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Segundo
De Vivo et al (1992), as causas de traumatismo raquimedular
nos EUA são, por ordem de freqüência: acidentes
automobilísticos (45%), as quedas (22%), os esportes
(14%) e as lesões associadas à violência
(14%).
Avanzi
et al (1993) na Santa Casa de São Paulo, realizaram estudos
com 38 pacientes com traumatismo da coluna vertebral com idade
inferior a 17 anos. A idade média foi de dez anos e um
mês, variando entre um ano e quatro meses até 16
anos e sete meses. Vinte pacientes eram do sexo masculino (53%)
e 18 do feminino (47%).
O
tempo de evolução médio foi de 22,2 meses,
variando entre um e 132 meses. Referentes às causas do
trauma, tiveram 25 pacientes (65,8%) por queda de altura, seis
(15,8%) por acidente automobilístico, cinco (13,2%) por
trauma direto, um (2,6%) por trauma do mergulhador e um (2,6%)
por espancamento. O tempo transcorrido entre o traumatismo vertebral
e o atendimento no pronto socorro da Santa Casa de São
Paulo, foi: 24 pacientes (63,2%) procuraram nas primeiras 24
horas, quatro (10,5%) aguardaram entre um e 15 dias e dez pacientes
(26,3%), com mais de 15 dias de evolução do trauma.
As fraturas ocorreram em 26 pacientes (68,4%), as fraturas-luxações
em oito (21,1%) e as luxações em quatro (10,5%).
Cooper
et al (1995) avaliaram 183 casos de traumatismos da coluna toracolombar
em Baltimore, nos Estados Unidos, observando 38% devido a quedas,
35% a acidente automobilístico, 10 % de motocicleta,
5% de pedestre, 1% de bicicleta e o restante devido a mergulho
em águas rasas. Observaram também que a ingestão
de bebida alcoólica estava presente em 27,9% dos traumas
com fratura toracolombar.
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Estudos
realizados por Massini et al (1995) em Brasília, Brasil,
avaliando 160 pacientes com traumatismo da coluna vertebral
e idade de 2 meses até 16 anos e 8 meses (média
de 12 anos). Trinta e seis (22,5%) crianças eram do grupo
etário infantil, 48 (30,0%) do grupo juvenil e 76 (76,9%)
do grupo adolescente. Meninos predominaram: 123 (76,9%) meninos
e 37 (23,1%) meninas, em uma proporção de 3/1.
os acidentes de trânsito foram responsáveis por
52 (32,5%) lesões, os projéteis por 40 (25,0 %),
o mergulho em águas rasas por 37 (23,12%) e as quedas
por 26 (16,25%). A etiologia variou dentro dos grupos etários:
no grupo infantil, a causa mais freqüente foi o acidente
de trânsito, 47,22% dos casos; no grupo juvenil, a queda
33,33% e, no grupo adolescente, o mergulho em águas rasas
36,80%.
Oliveira
et al. (1996), realizaram avaliação epidemiológica
do traumatismo da coluna torácica e lombar, baseada na
revisão de prontuários de 59 pacientes, do Serviço
de Ortopedia e Traumatologia do Instituto Dr. José Frota,
em Fortaleza, Ceará. Obtiveram como conclusão
que os pacientes mais acometidos foram do sexo masculino 84,74%
e a faixa etária mais freqüente foi dos 20 aos 40
anos. A causa principal foi queda de altura com 44,06%, acidente
automobilístico 28,81%, projétil por arma de fogo
16,94%, soterramento 6,77%, convulsão 1,67% e mergulho
1,67%. Concluíram que a grande maioria dos traumatismos
da coluna torácica e lombar pode ser evitada com a observação
dos itens de segurança do trabalho, no trânsito
e no lar.
Na avaliação de Waters et al (1997), no período
de 1973 a 1978, nos Estados Unidos, observaram que a violência
respondia por 13,3% das lesões medulares traumáticas
no período de 1979 a 1982; 15,1%, de 1983 a 1986; 17,2%
de 1987 a 1990 20,8% e no período de 1991 a 1994 30,4%.
Esta mudança pode ter sido causada tanto pela menor incidência
de traumatismos raquimedulares por acidentes automobilísticos,
quanto pelo aumento da violência, principalmente no meio
urbano.
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